Do que as pessoas realmente precisam? Alguns diriam: uma casa ou um lar, melhores condições de vida, um grande amor, uma paixão. Outras diriam: emprego, educação, uma sociedade preocupada com o bem estar de sua população.
Não sabemos ao certo o que é o mais importante, o que sabemos é que como seres humanos, somos o resultado de uma combinação única em cada um de nós. Essa diversidade gera um equilíbrio dinâmico as vezes difícil de gerenciar. Somos tão complexos que até mesmo alguns de nós precisamos de ajuda para entendermos a nós mesmos. Pior é que existem alguns que se sentem felizes e outros ainda que dizem que os felizes são cegos ou alienados e por isso são verdadeiramente infelizes pois sequer sabem que necessitam de ajuda. Neste momento, alguns podem ter dito: “Hã?!?”.
Para simplificar, vamos admitir que todos passamos por breves e caros momentos felizes durante a vida. Assim sendo, mesmos os mais pessimistas de nós experimentam seu naco de felicidade. Vamos simplificar ainda mais a questão e dizer que a felicidade é a coisa mais importante para todos.
Se somos felizes, mesmo em breves momentos durante a vida, a questão talvez seja como podemos prolongar o estado de felicidade? Questão importante, o tempo não pára, como já dizia o poeta. Assim sendo, prolongar estados de felicidade é inviável. Então talvez a solução para sermos mais felizes, seja aumentar a ocorrência de ocasiões felizes. Fazer isso não é tão simples por causa da diversidade humana.
Em vez de nos focarmos na busca da felicidade, talvez encontrássemos solução para a questão investigando nossa própria natureza. Um grande filósofo uma vez disse não crer na divindade, mas que não sabia o que movia os seres humanos. Apesar de todas as nossas diferenças, temos todos mais similaridades que diferenças. Para começar, coisas primeiras primeiro. Somos todos mamíferos, somos gestados por um período médio de nove meses, bípedes, sexuados, possuímos habilidades matemáticas, lingüísticas, dominamos a arte em suas mais diversas formas, somos capazes de criar, destruir, formar e desfazer vínculos sociais, odiar e amar. Não importa o quão evoluída seja a sociedade, as características humanas descritas aqui são inalienáveis aos seres humanos. Qualquer tentativa de suplantar quaisquer dessas características nos tornará incompletos.
Mas o que acontece quando nos sentimos incompletos? Ou melhor, o que acontece conosco quando sentimos que alguma coisa nos falta? Seria a infelicidade?
Admitindo que sim, bastaria que procurássemos repor aquilo que nos falta para podermos ser completos. Ora mas certas coisas são subjetivas demais para podermos recuperá-las. Outras são inalcançáveis devido a uma série de fatores, como fatores econômicos para aqueles que necessitam de bens materiais.
É perigoso tentarmos sair do caso mais geral para o mais específico sob pena de cometermos alguma injustiça, portanto, vamos nos concentrar naquilo que é mais importante.
Como sabemos, somos capazes de criar vínculos sociais. Há inúmeros registros de sociedades que se ergueram em torno de interesses comuns. Algumas dessas sociedades se fundiram e formaram os grupos étnicos e sociais dos quais fazemos parte, outras sucumbiram devido a superação de seus modelos ou pela força. Algumas nos forneceram excelentes lições que podem nos ajudar a entender nosso papel nas sociedades das quais fazemos parte hoje.
Uma dessas sociedades era a sociedade da lua. Tratava-se de uma sociedade coletora e nômade. Registros rupestres mostram que essa era uma sociedade matriarcal, uma sociedade onde as mulheres estavam no controle, como ocorre ainda hoje em algumas tribos africanas: As mulheres decidem quando caçar, as regras de partilha da comida, etc. Essa sociedade simples não estava preocupada com a manutenção de propriedade, pois quando o território atual estivesse sem comida, outro era escolhido e toda a tribo se mudava para o próximo território. Isso liberava os seres humanos de serem utilizados como ferramenta-meio de dominação. Não haviam divisões sociais diversas dos papéis de macho e fêmea.
Sem pensar nas razões para a “extinção” dessa sociedade, vamos fazer um exercício de imaginação e tentar inserir algumas das necessidades atuais nossas nos indivíduos daquela sociedade. Esses indivíduos por acaso possuíam coisas, como casas, carros, jóias, etc? Alguns dirão: “Mas é claro não! Eles não tinham de quem comprar!”, e outros dirão “Comprar não é ruim, é graças a sociedade capitalista que temos remédios contra as doenças e roupas para nos proteger do frio!”. Ok, mas isso é apenas um exercício de imaginação. A questão aqui é mostrar que certas necessidades nos são incutidas, empurradas garganta a baixo pela mídia que tem o único objetivo de fazer nos sentir incompletos. Precisamos estar alertas para podermos discernir entre uma necessidade e uma mensagem subliminar da mídia. Que me perdoem os profissionais de marketing e afins, mas é preciso estar atento ao marketing responsável num sentido mais amplo do que o que se discute sobre produtos eficazes, mas ao poder da mensagem em si. Para que não gere infelicidade. Essa é portanto uma discussão sobre ética.
Com o exemplo anterior, cobrimos as questões relativas ao ter, agora vamos nos aprofundar na questão do ser.
Das características enumeradas anteriormente, gostaria de relembrar algumas, tais como: capacidade de criar, destruir, formar e desfazer vínculos sociais e afetivos, odiar e amar.
Ao vivermos em sociedade, concedemos a ela alguns de nossos direitos e ela, em troca, é responsável por manter a ordem e de aplicar a lei segundo os costumes vigentes.
Isso tudo é muito bom. Hoje a maioria das sociedades do mundo elege seus próprios governantes e estão lutando contra a pobreza e procurando melhorar a qualidade de vida de sua gente. Entretanto, algumas dessas sociedades, nos fizeram abdicar de mais do que de certos direitos. Algumas dessas sociedades conseguiram nos distanciar uns dos outros, eliminando ou diminuindo nosso senso de conjunto, de sociedade. Esse afastamento subtrai ou reduz nossas oportunidades de melhorar ou expandir nossos vínculos com outras pessoas, e conseqüentemente de amar. Isso sim pode nos prejudicar, pois somos seres sociais. Precisamos estar uns com os outros.
Nasci em uma cidade em que até o ano de 2008 se registravam, em média, dois assassinatos por mês, mas que já começava a gerar uma sensação de insegurança que já nos afeta a todos. Ao ser aprovado no concurso de perito criminal da polícia civil de meu Estado, pude confrontar os números e “ver” de onde vinham as notícias. Ao conhecer a fonte da informação e a forma como era divulgada nos jornais, pude perceber que o jornal estava mais preocupado com a notícia do que com o acontecimento. Não quero tornar a questão simplista e dizer que não existe violência, que o mundo é maravilhoso, e que devemos convidar qualquer estranho para comer conosco em nossa casa. Nem dizer que é tudo culpa da imprensa ou da mídia, mas apenas alertar que a falta do contato humano pode ser a grande causa dos problemas de infelicidade no mundo.
Vamos tomar como exemplo um outro organismo vivo, como as plantas, se uma determinada planta receber luz apenas sobre um dos seus lados, a planta se desenvolverá para aquele lado. Com o ser humano não é diferente, uma vez privado de exercitar suas características inalienáveis ele procura suplantá-las com outra fonte de felicidade, ele vai estar mais interessado em comprar o que não precisa, em possuir o que não consegue e começará a se punir por achar que ele é o culpado por sua condição atual.
Assim sendo, procure estar envolvido com outras pessoas não só no trabalho, mas fora dele também. Se tiver tempo livre, aconselho a voluntariar-se. Experimente ajudar aos que precisam e poderá ter boas surpresas.
Ser feliz é simples? Pode ser sim. Não é algo que necessariamente dependa das nossas expectativas. Apenas esteja atento para não perder as oportunidades de participar de algo maior. Vá às festas e brinque de maneira responsável. Participe de grupos, veja menos TV. Leia mais. Viva mais e melhor!
terça-feira, 28 de abril de 2009
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